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ADENTRO

 

Dois garotos a girar, rodando um mundo sem eixo

Dois garotos a rodar no mundo, cegos e em sexo

 

Mar adentro, mar adentro, fora de mim

Mar há dentro e fora de ti

A lua é doce e o sol é salgado, na pele

E o mar... O mar cede à sede que nos consome

 

Dois rios a correr, rodando o mundo, sem leito

Dois rios a escorrer dos olhos, cegos e sem peito

 

Mal há dentro, só lá dentro
Sentindo o suor de teus cabelos
Mas lá dentro, não lamento
Chove, chove, chove, sempre chove
love, love, love, crazy love

Estávamos cegos, cantávamos... Cegos

Na estrada que não tem nome, nem sim

O final feliz foi cortado pelo último atalho

Na pressa de um beijo imaturo, do desejo duro, impuro

És tu, com outros nomes e rostos estranhos,

Que sempre divide minha cama, tão dividida... Pedaços

O que fazer quando a cabeceira não comporta mais sonhos?

O que fazer com o travesseiro que já perdeu teu cheiro?

 

Pinto, em preto, o espelho da cama para que nada vire lembranças

As velas circundam a cama aprisionando meus demônios

E impedem que meus anjos adormeçam

Sem ti as paredes crescem e dilatam

O medo e sensação de estar sozinho aumentam

E as sombras não mais respeitam a luz

É quando perco tuas mãos na escuridão

E caio mar adentro, no centro da cama, perto do inferno

Na última chuva me perdi, sempre me perco facilmente

Só não me perco de ti

Teu reflexo continua preso em mim

Desde a última vez que suamos juntos

Ao som daquele jazz, do sax a velar o sexo

 

Não há mais fúria, o teatro fechou

Mas continuo com meu ingresso

Se vou conseguir entrar? Não sei



Escrito por Ronaldo às 18h41
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